Sabor
Festa do pêssego reforça protagonismo da fruta em Pelotas
Milhares de pessoas foram a evento dedicado à fruta cuja cadeia produtiva movimenta mais de R$ 300 milhões anualmente
Foto: Carlos Queiroz - DP - Apesar da quebra da produção, colheita tem sido de grande qualidade na região
Por Lucas Kurz
lucas.kurz@diariopopular.com.br
O tempo ajudou, o sol apareceu e o domingo foi voltado a celebrar a mais tradicional fruta dos pomares pelotenses: o pêssego. A festa dedicada à fruta levou milhares de pessoas à Vila Nova, no 7º Distrito da zona rural. Responsável por movimentar mais de R$ 300 milhões na economia da cidade, o pêssego é, hoje, a fonte de renda de cerca de 600 famílias, fazendo com que Pelotas se mantenha como a maior produtora do País.
Com grande parte da produção direcionada à indústria - cerca de 85%, segundo estimativas da Emater -, a festa serviu também para aproximar o trabalhador do consumidor final, algo cada vez mais raro. O produtor Luís Carlos Portantiolo, que lamentou a quebra de produção em torno de 50% em seus pomares, destacou a importância da valorização. Apesar de destinar a maior parte à indústria, reforça que o preço vendendo direto ao público acaba sendo melhor. “Dá um pouco mais de trabalho, mas dá uma renda a mais”, aponta. Segundo ele, a população se interessa em saber mais sobre o tema e a divulgação neste tipo de evento acaba estreitando esses laços.
Os visitantes aproveitaram para consumir frutas e produtos à base de pêssego, como doces, cucas, sucos e diversos outros itens. Para Clóvis Caetano e Regina Amaral, moradores da zona urbana, é uma maneira também de conhecer as belezas do interior de Pelotas. “Eu gosto de sair para a colônia e o evento é um jeito de prestigiar”, sugere o operador de estação aeronáutica.
Momento de celebrar uma cultura tradicional
Durante a abertura oficial do evento, diversas autoridades e lideranças do setor discursaram. O padre Armindo Capone, figura popular da região, abençoou os produtores. Também liderança da área rural, o ex-vereador Jair Bonow (PP), que morreu em junho deste ano, também foi lembrado durante a solenidade. Já a abertura da colheita, pela manhã, ocorreu no pomar de Idenilson Ferreira da Silva.
Com banca no evento, Helena Bender reforçou a ligação afetiva com a produção, que desde criança faz parte de sua rotina, primeiro com o pai, na colônia Santa Maria, depois com o marido, na Santa Eulália. Apesar das dificuldades recentes, com a alta dos insumos e as perdas causadas por questões climáticas, ela diz que a festa acaba tendo efeito motivador. “O povo pergunta bastante e tem um contato direto”, conta, lembrando que a fruta possui diversas variedades e, ao explicar isso, consegue entregar ao cliente exatamente o sabor que ele procura no pêssego.
O metalúrgico Luciano Konrad, 44, aproveitou a festa para levar a família para vivenciar um pouco do campo. Aproveitando as sombras proporcionadas pelo belo cenário no distrito do Quilombo, apontou a importância de estimular uma cadeia tão importante para a economia local. Em conversa com a reportagem, ele, a esposa e as duas filhas contaram que compraram até uma cesta para levar frutas para casa, apesar da divisão entre a preferência pelos pêssegos amarelos ou os brancos.
Prefeitura comemora o sucesso
A prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) destacou que o pêssego é tão importante quanto o doce enquanto tradição e marca da cidade. “A gente sabe que o pêssego enfrenta muitas dificuldades. Essa safra teve uma perda, mas ainda assim, a qualidade ficou muito evidenciada”, analisou. Além da tradição, ela apontou a importância da cadeia para a economia da cidade, em termos de emprego e renda.
As festas, realizadas para aproximar a população urbana da rural, são uma forma de estimular o setor e valorizar o produtor. Para o vice-prefeito e Secretário de Desenvolvimento Rural, Idemar Barz (PSDB), a qualidade da produção pelotense é o que mantém a cultura viva, mantendo acompanhamento técnico junto à Emater, Embrapa e UFPel. “Temos que valorizar produtos nossos. Gera emprego, gera renda, gera imposto e valoriza nosso produtor rural para ficar no campo, cultivando e trabalhando.”
Cenário atual
Extensionista da Emater, Rodrigo Prestes aponta que, mesmo sendo o maior produtor de pêssego do País, cultivando cerca de três mil hectares em Pelotas, há o apelo social da manutenção das mais de 600 famílias que dependem da área. Ele estima uma quebra de 30% a 40% devido às questões climáticas, gerando evidentes impactos financeiros neste público. Apesar disso, porém, as frutas produzidas vêm sendo de grande qualidade e maiores que o comum. “O produtor está com esse problema climático, mas ao mesmo tempo são pêssegos de excelente qualidade e o consumidor está reconhecendo isso”, reforça.
Segundo Prestes, a valorização do trabalho e do fruto por parte da comunidade é essencial para o produtor, já que é uma cultura que demanda bastante trabalho, o ano todo, de maneira manual. “É uma cultura que requer muitos tratos de forma manual, a colheita e a poda têm que ser feitas por pessoas”, aponta, dizendo que hoje, tecnificar as áreas, acaba ajudando a manter o produtor, através de atividades como o melhoramento do solo e irrigação, por exemplo, para aumentar o rendimento em pequenas áreas.
Feiras diárias
Dentro da Quinzena do Pêssego, a Feira do Pêssego continua em diversos pontos de Pelotas até sexta-feira. Confira o cronograma:
Diariamente até sexta - Largo Edmar Fetter, no Mercado Central
Segunda-feira - Terra Nova, avenida 25 de Julho
Terça - avenida Dom Joaquim, esquina rua Gonçalves Chaves
Quarta - avenida Fernando Osório, entrada da Lindoia
Quinta - avenida Senador Salgado Filho (Havan)
Sexta - avenida Dom Joaquim, esquina rua Gonçalves Chaves”.
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